Matuto Moderno lança seu terceiro CD
"Razão da raça rústica"
Uma das principais representantes da geração que "turbinou a viola", a banda Matuto Moderno chega a seu terceiro CD, "Razão da Raça Rústica". Depois de lançar "Bojo Elétrico" em 2000 e dois anos depois o trabalho "Festeiro", o Matuto se consagra como principal banda do chamado movimento pós-caipira - ou o caipira pop - e mantendo presença nos principais eventos do gênero no país.
A banda Matuto Moderno faz um eletrizante Rock'n'roça, ou seja, uma engenhosa mistura de viola caipira com guitarra distorcida, ritmos da catira, cateretê, cururu, congo, toada, recortado, moda de viola e efeitos eletrônicos. A inspiração que resultou nessa nova roupagem da música regional do Sudeste tem como fonte cinco músicos urbanos, o quinteto do Matuto.
Um passado roqueiro pontuado de sons nervosos como Black Sabbath e Led Zeppelin ajuda a contar a história do grupo, formado por Ricardo Vignini (viola), Marcelo Berzotti (baixo), Alex Mathias (voz, guitarra e violão), Ricardo Berti (bateria) e Mingo Jacob (percussão).
Antes da criação do Matuto, há seis anos, os músicos Vignini, Berzotti e Mathias já tocavam juntos desde 1993. Eles tinham uma banda de rock.
Para o novo CD, a banda preparou 12 músicas gravadas quase que inteiramente no estúdio Bojo Elétrico, da própria banda.
Uma delas, "São Gonçalo protetor, Cramunhão trambiqueiro", é uma faixa ao vivo, gravada em julho de 2004 no Festival de Inverno de Alto Paraíso em Goiás.
De acordo com Ricardo Vignini, o violeiro da banda, neste CD foi usado todo tipo de tecnologia atual de gravação, menos afinadores de vozes, proporcionando uma sonoridade até então inédita na viola caipira que foi gravada acústica e elétrica. "O fato do CD ser produzido e gravado pela própria banda fez com que se tornasse o mais experimental já produzido", afirma.
"Razão da Raça Rústica" é lançado pelo Folguedo, selo da própria banda que estreou o ano passado com o "Música Raiz Catira e Folia de Reis" com a velha guarda da música caipira de Guarulhos e a Tratore - a maior distribuidora de CD's independentes do Brasil.
A ilustração da capa do foi feita pelo artista André Davino inspirada na obra "Operários", de Tarsila do Amaral, só que no lugar dos operários, traz diversas etnias, além das caricaturas dos membros da banda.
A irreverência maior fica por conta de um selo que vem na capa do CD com a frase: "Matuto Moderno adverte: este CD contém linguajar caipira e pode ser prejudicial ao preconceito".
O Matuto Moderno se firma no mercado da música caipira de vanguarda como banda que mais produziu nesta meia década, além de ser a única que conseguiu tanto participar do Viola Minha Viola da apresentadora Inezita Barroso como do Musikaos, ambos os programas da TV Cultura.
A banda tem presença constante nos principais eventos da música caipira, além de projetos sobre o tema e é reconhecida pelos violeiros mais importantes do Brasil, como Pena Branca, Pereira da Viola, Ivan Vilela e Braz da Viola, entre outros.
Alguns dos artistas mais inspiradores do grupo são Tião Carreiro e Pardinho, além de Tonico e Tinoco. O Matuto Moderno apresenta em seu repertório clássicos da música caipira, entre os quais "Rio de Lágrimas" (Tião Carreiro, Lourival dos Santos e Pirací), "De papo pro á" (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano), "Vide vida marvada" (Rolando Boldrim) e obras de sua autoria.
Sua discografia inclui "Bojo Elétrico", lançado em 2000 pela Mulambo/Eldorado; "Festeiro", de 2002, de forma independente e distribuído pela Tratore, além da participação em duas faixas da coletânea "Moda Nova", de 2003, pela Obi Music. E agora, "Razão da Raça Acústica", pelo Folguedo.
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