Parece o
mangue beat. Mas não é. O antropólogo Hermano Vianna já descolou até um
rótulo: é pós-caipira. O suposto movimento, ainda em rascunho, reúne
bandas com a intenção comum de misturar sonoridades contemporâneas com
ritmos regionais do sudeste brasileiro.
Para entender melhor do que se trata, dois nomes expoentes dessa cena
se apresentam na cidade para mostrar o resultado de tantas fusões: o grupo
Mercado de Peixe (foto), de Bauru, faz show hoje, e o projeto Caboclada
(dos irmãos Théo e Márcio Werneck) toca amanhã.
"A gente está trocando figurinha faz tempo. Tanto nós quanto eles
misturamos rock com a música de raiz", exemplifica Théo Werneck,
integrante da caboclada. "Há uma identificação, as idéias são parecidas.
Os dois grupos trabalham para acabar com o preconceito que persegue a
música caipira", concorda Ricardo Fela, do Mercado de Peixe.
Ambos enumeram as mesmas bandas que se enquadrariam no termo
"pós-caipira": Matuto Moderno, Saci Crioulo e Fulanos de Tal - as três, do
interior paulista. A principal vitrine de todas elas é o festival Caipira
Groove que, desde o ano passado, acontece em Campinas, em setembro.
"Desde o mangue beat, há uma tendência da música em redescobrir o
Brasil e, agora, várias bandas de São Paulo trabalham com ritmos do
sudeste - como a moda de viola, a catira e o jongo", explica Márcio
Werneck. "Todos esses grupos trabalham com a cultura regional do interior
paulista sem a obrigatoriedade de tocar música de raiz. A roupagem é
contemporânea", conclui Fela.
Ambos os grupos se formaram em meados dos anos 90. O Mercado de Peixe
já gravou dois CDs demo: Aparições e Beats e Batuques. A
Caboclada também já gravou o seu, chamado Domínio Público, entre
2000 e 2001.
Mercado de Peixe - hoje, às 19h30, no Instituto Itaú Cultural
(Av. Paulista, 149. Tel. 3268-1776), de graça. Caboclada, amanhã, às
20h30, na choperia do Sesc Pompéia (R. Clélia, 93. Tel. 3871-7700), R$ 12.