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27/10/2003 - 11h07

Bandas criam híbridos caipiras na coletânea "Moda Nova"

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GUILHERME WERNECK
da Folha de S.Paulo

Se você tem arrepios só de ouvir falar em música caipira, apareceu um bom motivo para vencer alguns preconceitos.

A coletânea "Moda Nova - Caipira Pop", lançada pela independente Obi Music, mostra que existe toda uma cena de bandas legais que apostam na mistura da música de raiz paulista com as mais diferentes variantes pop.

Participam da coletânea as bandas Caboclada (São Paulo), Dioni Zica (Araraquara), Fulanos de Tal (Rio Claro), Matuto Moderno (São Paulo), Mercado de Peixe (Bauru) e Sacicrioulo (Campinas).

Em comum, elas têm o interesse pela cultura de raiz e pelo resgate de ritmos e danças que sobreviveram a duras penas no século passado, marginalizados mesmo no interior paulista, como o jongo, a catira, a folia de reis, a congada, a umbigada, o cururu e a moda de viola.

Mas o que essas bandas fazem não é apenas uma volta às origens. Antes, os grupos usam essa herança cultural para criar híbridos contemporâneos, tramando combinações com o rock, a eletrônica, o reggae e até o rap.

Para o organizador da coletânea, Newtom Barreto, 38, do grupo Fulanos de Tal, o interessante é que essas bandas se equilibram entre a nostalgia e a vanguarda e conseguem fazer a ponte entre gerações. "Gosto de chamar a música que fazemos de música paulista herdada. A idéia é que o jovem ouça isso hoje e sinta orgulho da música do avô dele. Com o êxodo rural, principalmente nos anos 60, toda uma geração deixou o interior e foi para a cidade. Agora, parte dessa geração está voltando ao interior, e vemos que os filhos dessas pessoas retomaram essa herança", diz Barreto.

Ao mesmo tempo em que criam uma música nova, as bandas que participam da coletânea também tentam reativar a música original que as inspirou. "A gente procura interagir [com os grupos originais] de uma maneira ética. Afinal, não basta beber na fonte, tem de regar a raiz", afirma Barreto, dizendo que é comum as bandas convidarem grupos populares para dividir o palco com eles.

E é desse movimento bilateral que surgem canções impressionantes em "Moda Nova", como a rica "Firma, Meu!", música do Caboclada com o Z'África Brasil, que parte de um jongo para cair num delicioso reggae com rap.

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