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Música
Terça, 4 de novembro de 2003, 16h10 
Música caipira é revitalizada com a Moda Nova
 
Helena Aragão
 
Divulgação
Jerry e Croa
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Em meados dos anos 90, na mesma época em que Chico Science reuniu guitarras a ritmos como o maracatu e o frevo para criar o Mangue Beat, um outro movimento musical começava a surgir discretamente no país. A princípio longe dos holofotes, grupos começaram a unir elementos da música pop às raízes da música caipira no interior de estados como São Paulo, Paraná, e Mato Grosso.

Longe dessa realidade, o Rio de Janeiro pouco ouviu sobre a nova tendência. O atraso vai ser remediado a partir desta terça-feira com a série "Viola Turbinada", que reunirá alguns representantes do movimento no Centro Cultural Banco do Brasil em todas as terças-feiras de novembro. Na programação, os grupos Jerry Espíndola & Croa (hoje), Matuto Moderno (dia 11), Tuia e o Dotô Jeka (18) e Fulanos de Tal (25) recebem violeiros e grupos tradicionais de várias regiões.

Os quatro conjuntos foram escolhidos para o evento pelo cineasta paulista Reinaldo Volpato dentro de um universo que já conta com mais de 40 representantes em todo o Brasil.

"Quis mostrar como em cada região do país há gente misturando as influências das músicas feitas nas áreas rurais a elementos urbanos. Enquanto o paulistano Matuto Moderno e o matogrossense Jerry pesquisam a fundo, por exemplo, as raízes musicais para incluir nelas alguns elementos pop, o Dotô Jeka, do Vale do Paraíba, faz música pop com referências de raiz."

Apesar de o evento levar a viola no nome, nem todos os grupos utilizam o instrumento. Como o Fulanos de Tal, formado por jovens de Rio Claro, no interior de São Paulo, que tem um trabalho calcado na percussão de estilos tradicionais, como a umbigada.

O movimento já ganhou diversos nomes, como Caipira Groove, Pós-Caipira e Rock n'roça. Mas o produtor Reinaldo Volpato prefere usar o termo Moda Nova.

"O antropólogo Hermano Vianna criou a denominação Pós-Caipira, mas acho inapropriado, já que a cultura caipira nunca deixou de existir. A expressão Moda Nova usa a palavra que designa a canção caipira e brinca com o nome Bossa Nova", explica Volpato.

Seja qual for a designação, o movimento tem aprovação de alguns dos principais nomes da música caipira tradicional. O compositor Renato Teixeira, por exemplo, participou do disco de Tuia e Dotô Jeca e gostou o arranjo do grupo para seu clássico Romaria. A violeira matogrossense Helena Meirelles apóia o trabalho do conterrâneo Jerry e Pena Branca é um só elogios para o trabalho dos grupos.

"Admiramos essa nova geração, tudo é válido para renovar a música caipira. Fico realizado de ver tanto menino tocando viola", exalta Pena Branca, que também tem show agendado no Rio, ao lado de Ricardo Teixeira, no dia 12, no Canecão.

Inaugurando a série, o grupo Jerry Espíndola & Croa mostra a polca-rock, gênero que criou ao fundir a polca paraguaia a guitarras. A novidade foi aprovada por músicos como Zé Ramalho, que compôs uma música especialmente para o grupo gravar em seu único CD.

"A tendência aqui é as pessoas esquecerem os gêneros tradicionais. A renovação é importante até para que ritmos dessa região, como o chamamé e a guarânia, tenham continuidade", conta Jerry.
 

JB Online
 
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