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Projeto
leva ao CCBB a partir de hoje quatro bandas que misturam
música caipira com rock'n'roll, eletrônica, ritmos
percussivos e até blues
Gratas novidades da música brasileira
mostram que viola não serve apenas para tocar catira e
que música caipira não se faz somente com viola. Os
engenhosos talentos que se apresentam a partir de hoje
no projeto Viola Turbinada, no Centro Cultural Banco do
Brasil (CCBB), agregam à sagrada música de Raul Torres e
Florêncio ou Tonico e Tinoco ora riffs de guitarra
distorcida, ora bate-estaca eletrônico. O resultado é
caipira pop, ou ainda rotulado como pós-caipira,
rock'n'roça e agro mood.
O elenco do Viola
Turbinada é formado pelos principais grupos desse novo
formato. A começar pela banda Matuto Moderno, atração
que inaugura o projeto no CCBB hoje, às 21h. Até o final
do mês, às terças-feiras, passam por lá ainda outros
três grupos da safra, Tuia e o Dotô Jeka, Fulanos de Tal
e Jerry Espíndola & Croa.
No entanto, ficaram
fora outros conjuntos que também ousam interpretar a
arcaica música caipira com violas e guitarras
acrescentando um tempero eletrônico: Sacicrioulo,
Caboclada, Mercado de Peixe e Dioni Zica. Todos eles,
como o Matuto Moderno e Fulanos de Tal, por exemplo,
consagrados pelo festival Caipira Groove, de Campinas, a
principal vitrine dessa turma.
Desses grupos, o
Matuto é um dos pioneiros no gênero, junto com Tuia e o
Dotô Jeka, o mais antigo. Desde sua formação, em 1999, é
aclamado por violeiros clássicos como Pena Branca,
Roberto Corrêa e Badiá Medeiros. A banda chega a
Brasília hoje com show de lançamento do segundo CD,
Festeiro., dois anos após lançar o primogênito álbum de
carreira Bojo Eletrônico. Junto com Festeiro, chega às
lojas ainda a coletânea Moda Nova – Capira Pop, que
reúne, entre outros, Matuto Moderno, Dioni Zica, Mercado
de Peixe e Fulanos de Tal.
O quinteto do Matuto,
formado por Ricardo Vignini (viola), Alex Mathias (vocal
e guitarra), Marcelo Berzotti (baixo), Mingo Jacob
(percussão) e Ivo Júnior (bateria), passou a
adolescência com os ouvidos voltados para os versos
nervosos das bandas Black Sabbath e Led Zeppelin. Hoje,
como confidencia o violeiro Vignini, "o que motiva o
grupo ultimamente é a obra de Tião Carreiro e Pardinho e
Tonico e Tinoco".
O rock'n'roll, portanto não
fica para trás nas inusitadas composições dos "novos
matutos". Exemplo claro é a versão caipira para Voodoo
Child, do excêntrico Jimi Hendrix, interpretada nos
shows do grupo, ainda não gravada em disco. No mais,
Matuto não dispensa arranjos com distorções de
guitarras, bateria pesada, nem outras doses rítmicas,
como o blues.
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