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Por Guilherme Lobão

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Projeto leva ao CCBB a partir de hoje quatro bandas que misturam música caipira com rock'n'roll, eletrônica, ritmos percussivos e até blues

Gratas novidades da música brasileira mostram que viola não serve apenas para tocar catira e que música caipira não se faz somente com viola. Os engenhosos talentos que se apresentam a partir de hoje no projeto Viola Turbinada, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), agregam à sagrada música de Raul Torres e Florêncio ou Tonico e Tinoco ora riffs de guitarra distorcida, ora bate-estaca eletrônico. O resultado é caipira pop, ou ainda rotulado como pós-caipira, rock'n'roça e agro mood.

O elenco do Viola Turbinada é formado pelos principais grupos desse novo formato. A começar pela banda Matuto Moderno, atração que inaugura o projeto no CCBB hoje, às 21h. Até o final do mês, às terças-feiras, passam por lá ainda outros três grupos da safra, Tuia e o Dotô Jeka, Fulanos de Tal e Jerry Espíndola & Croa.

No entanto, ficaram fora outros conjuntos que também ousam interpretar a arcaica música caipira com violas e guitarras acrescentando um tempero eletrônico: Sacicrioulo, Caboclada, Mercado de Peixe e Dioni Zica. Todos eles, como o Matuto Moderno e Fulanos de Tal, por exemplo, consagrados pelo festival Caipira Groove, de Campinas, a principal vitrine dessa turma.

Desses grupos, o Matuto é um dos pioneiros no gênero, junto com Tuia e o Dotô Jeka, o mais antigo. Desde sua formação, em 1999, é aclamado por violeiros clássicos como Pena Branca, Roberto Corrêa e Badiá Medeiros. A banda chega a Brasília hoje com show de lançamento do segundo CD, Festeiro., dois anos após lançar o primogênito álbum de carreira Bojo Eletrônico. Junto com Festeiro, chega às lojas ainda a coletânea Moda Nova – Capira Pop, que reúne, entre outros, Matuto Moderno, Dioni Zica, Mercado de Peixe e Fulanos de Tal.

O quinteto do Matuto, formado por Ricardo Vignini (viola), Alex Mathias (vocal e guitarra), Marcelo Berzotti (baixo), Mingo Jacob (percussão) e Ivo Júnior (bateria), passou a adolescência com os ouvidos voltados para os versos nervosos das bandas Black Sabbath e Led Zeppelin. Hoje, como confidencia o violeiro Vignini, "o que motiva o grupo ultimamente é a obra de Tião Carreiro e Pardinho e Tonico e Tinoco".

O rock'n'roll, portanto não fica para trás nas inusitadas composições dos "novos matutos". Exemplo claro é a versão caipira para Voodoo Child, do excêntrico Jimi Hendrix, interpretada nos shows do grupo, ainda não gravada em disco. No mais, Matuto não dispensa arranjos com distorções de guitarras, bateria pesada, nem outras doses rítmicas, como o blues.

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