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MODA NOVA - Finalmente , sangue novo na Música brasileira!!
Em 1929, no limiar da indústria fonográfica, um paulista visionário, da cidade de Tietê, realizou um dos feitos mais notáveis para a história da cultura brasileira. Cornélio Pires gravou e lançou a primeira série de discos independentes do Brasil, fato esse ainda pouco conhecido nos dias de hoje, por mais absurdo que isso possa parecer.
A música rural do sudeste começou aí sua trajetória de sucesso no mundo do rádio. Nunca mais deixou de estar nas paradas. Nos anos sessenta, os caipiras vendiam e tocavam tanto quanto os Beatles, por exemplo.
E, como toda manifestação artística verdadeira e espontânea, a música caipira renova-se constantemente, pois é dinâmica, feita em sintonia com os fatos e modos de pensar contemporâneos.
A coletânea intitulada "Moda Nova" tem um pouco daquela atitude ousada de Cornélio Pires. Trata-se de uma compilação de músicas produzidas por bandas de todo o Estado de São Paulo, que têm como um dos pilares de suas composições justamente esse jeito caipira de ser, ver e sentir a vida.
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Filhos e netos de interioranos (como - diga-se de passagem - a esmagadora maioria de brasileiros), esses artistas apresentam na sua música (moda) a ótica atual desse universo, a percepção de quem vê pela janela de seu quarto o luar do sertão, ao mesmo tempo em que pela tela de seu computador a invasão americana ao Iraque.
Claro que sua moda (música) é diferente daquela que seu avô cantava. Mas não menos autêntica, verdadeira, apaixonada, visceral.
Dia desses um jornalista veio nos entrevistar. Representantes de todas as bandas deram seu depoimento, expuseram suas impressões em relação à cena que estamos protagonizando. A mim foi feita a pergunta inevitável: "qual o nome desse movimento?" Disse que, a meu ver, talvez o mais adequado seria classificar essa cena de uma "movimentação".
E que os muitos títulos surgidos para tentar rotular (no bom sentido) essa movimentação justificam -se. Pós - caipira, agro mood, rock'n roça, caipira groove, caipirage, moda nova...E que todos esses títulos são legítimos, já que, em vários lugares, ao mesmo tempo agora, vários grupos, em várias áreas (não só na música), perceberam que a grande sacada da vida seria posta à luz à medida que centrassem (ou "sudesteassem") suas atenções para suas origens. E que, numa intenção sincera de expandir essa percepção ao maior número possível de pessoas, criaram títulos à sua movimentação, para que as pessoas pudessem se localizar.
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Também ficou claro que não estamos promovendo um modo de pensar excludente, bairrista, separatista, muitíssimo pelo contrário. Não somos radicais, ESTAMOS radicais (buscando nossas raízes).
Participam desta coletânea os grupos Caboclada (São Paulo), Dioni Zica (Araraquara, Santa Fé do Sul), Fulanos de Tal (Rio Claro, Limeira, Piracicaba), Matuto Moderno (São Paulo), Mercado de Peixe (Bauru) e Sacicrioulo (Campinas).
SOBRE A CAPA
O cantor, compositor e violonista Jararaca, é homenageado pelas bandas do Moda Nova, entre outras coisas, por ter sido um nordestino apaixonado pela cultura caipira do Sudeste. Ele trilhou, muitos anos antes, o caminho inverso de grande número de artistas de São Paulo.
É interessante observar que o vocalista Tato (Falamansa),Piracicabano nascido e criado, foi buscar inspiração para sua música lá praquelas bandas, de onde veio o Jararaca.Já o Jararaca, foi buscar nos tipos de Piracicaba \(um dos berços do caipirismo) os elementos para compor seu personagem.
Esses fatos, na nossa opinião, exemplificam a unidade na diversidade, que é justamente onde está a grande força do nosso povo. É isso que nos diferencia do resto do mundo, que faz do Brasil o melhor país desse planeta. A FORÇA CULTURAL DO SEU POVO, QUE DERRUBA TODAS AS FRONTEIRAS ENTRE NÓS!"
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